Cada vez se ouve mais falar de mindfulness, mas afinal o que é o mindfulness?
Aparecendo muitas vezes como sinónimo de meditação, o mindfulness é muito mais do que isso. É uma atitude perante a vida, uma filosofia de vida. É a escolha de estarmos presentes na nossa vida.
Vivemos muitas vezes a nossa vida em piloto automático, perdidos em pensamentos sobre o passado ou sobre o futuro, reagindo de forma automática aos nossos pensamentos e às nossas emoções, tendo por vezes reações de que nos arrependemos imediatamente.
Talvez se identifique com o seguinte exemplo de como o piloto automático está presente nas nossas vidas:
Tomo o pequeno-almoço com a família, a pensar sobre a reunião de trabalho que vou ter mais tarde…
…estou nessa reunião a pensar sobre o que comer ao almoço….
…almoço a pensar sobre tudo o que tenho para fazer à tarde… e assim por diante.
O mindfulness, ou atenção plena em português, é exatamente o oposto deste piloto automático. Podemos defini-lo como “A consciência que emerge quando prestamos atenção de propósito no momento presente e sem julgamento” (Jon Kabat-Zinn). Ou seja, envolve prestar atenção ao momento presente, com propósito, a cada momento, sem julgar a experiência e aceitando-a tal como é.
Podemos conceptualizar o mindfulness como:
As práticas que permitem alterar a nossa relação com os nossos pensamentos e emoções:
A perspetiva que cada indivíduo ganha com o treino das práticas;
Um estado temporário potencialmente acessível a todas as pessoas;
Um conjunto de traços permanentes que podem ser desenvolvidos se se praticar mindfulness.
Em relação às práticas estas podem-se dividir em práticas formais e práticas informais. As práticas formais referem-se às práticas de meditação, em que reservamos um tempo no nosso dia para as práticas meditativas. As práticas informais referem-se a trazer uma atitude de atenção plena para o nosso dia a dia, seja por exemplo, na alimentação, na rotina diária ou em qualquer atividade do nosso dia.
Origens
As raízes do mindfulness pertencem sobretudo ao Budismo, fundado na Índia.
Mindfulness é uma tradução do termo sati, em pali, que significa:
– Consciência
– Atenção
– Lembrança (lembrança de reorientar a atenção e a consciência para a experiência do momento)
Este é o ensinamento essencial e o fundamento sob o qual todas as tradições budistas assentam.
O praticante de sati trabalha ativamente com os estados da mente, de forma a manter-se sereno com o que quer que aconteça.
O budismo mais do que uma religião, é um sistema ético, filosófico e psicológico que visa ajudar as pessoas a perceber a razão do seu sofrimento e a construir uma vida mais feliz em harmonia com os outros.
A sua forma secular surgiu no Ocidente através do Dr. Jon Kabat-Zinn, que em 1979 criou um programa terapêutico para doentes crónicos que não respondiam ao tratamento habitual chamado Mindfulness Based Stress Reduction (MBSR). Desde aí o mindfulness e os seus benefícios têm sido amplamente estudados e validados cientificamente.
A um nível clínico têm sido reportados benefícios ao nível da ansiedade, prevenção de recaídas depressivas, stress pós-traumático, dor crónica, tensão arterial, sistema imunitário, entre muitos outros.
As competências de mindfulness apresentam-se como altamente benéficas para os que procuram bem-estar mental, pelo que desenvolver estas competências é algo universalmente saudável.
Em relação às práticas formais, ou seja à meditação, foram encontrados benefícios em meditadores com larga experiência, mas também em pessoas com apenas algumas semanas de prática regular.
Segundo Hölzel e colaboradores (2011) pessoas que aprenderam a meditação num curso de oito semanastiveram aumentos na concentração de matéria cinzenta em áreas do cérebro associadas com a aprendizagem, memória, regulação da emoção e processamento autorreferencial.
As mudanças geradas pela prática podem transformar-se em traços ou características consolidadas, prevenindo futuros episódios de ansiedade, depressão e stress.
Ao escolhermos trazer uma atitude mindful para a nossa vida estamos a ganhar o poder de escolha, em que mais do que sermos reféns das nossas reações automáticas aos estímulos da nossa vida, sejam situações, pensamentos ou emoções, conseguimos carregar na “pausa” escolhendo como queremos reagir.
As práticas de Mindfulness são atualmente integradas em diversos protocolos psicoterapêuticos, apresentando validade científica na prevenção e tratamento de diversas patologias, nomeadamente de ansiedade e depressão.
Se sente que o mindfulness o poderia ajudar com as suas dificuldades, pode marcar uma consulta com a nossa psicóloga Carina Ferreira.
“Não podemos parar as ondas, mas podemos aprender a surfar”
(Kabat-Zinn)
